Zileide Silva é reconhecida pelo Prêmio Glória Maria de Jornalismo
Zileide Silva, rosto conhecido do jornalismo brasileiro e uma das âncoras da TV Globo, entrou para a história em 13 de novembro de 2024 ao ser a primeira premiada com o Prêmio Glória Maria de Jornalismo. A cerimônia, realizada na Câmara dos Deputados, não foi só uma celebração da carreira de Zileide, mas também um momento de reflexão sobre o que faz um jornalista se destacar: coragem, empatia e responsabilidade ao contar histórias — valores que marcaram o trabalho de Glória Maria, falecida em fevereiro de 2023 e homenageada com a criação do prêmio.
Não se trata apenas de um reconhecimento simbólico. Zileide foi escolhida por unanimidade pelos líderes dos partidos e pela Mesa Diretora da Câmara, que viram nela uma representante fiel do jornalismo pautado pela profundidade e sensibilidade. Durante a cerimônia, quem também esteve presente foi Laura Matta, filha de Glória Maria, participando dos tributos dedicados tanto à sua mãe quanto à própria Zileide. O evento virou, assim, um encontro de gerações marcadas pela busca de excelência no jornalismo.
Uma trajetória marcada por grandes coberturas e respeito ao público
Antes de se tornar referência na TV Globo, Zileide trilhou um caminho de destaque por várias redações. Começou no rádio, passando pela Rádio Jornal de São Paulo e pela Rádio Cultura Brasil, expandiu sua atuação para emissoras como Bandeirantes e SBT e consolidou sua identidade profissional na TV Cultura. O ponto de virada veio em 1997, quando ingressou no jornalismo da Globo. Sua reputação internacional cresceu especialmente após a cobertura dos atentados de 11 de setembro de 2001, período em que era correspondente em Nova York. Sua capacidade de traduzir fatos complexos para o público brasileiro, sem perder a precisão nem a sensibilidade, chamou atenção até fora do país.
A entrega do Prêmio Glória Maria também serve de lembrete sobre a importância da diversidade e da presença feminina nas redações e na linha de frente das grandes notícias. Assim como Glória Maria abriu portas, Zileide também inspira novos profissionais a seguirem contando as histórias do Brasil com ética e humanidade. Em seu discurso, Zileide não escondeu o orgulho: falou do peso de receber uma honraria que leva o nome de quem tanto fez pelo jornalismo nacional, e reforçou o desejo de continuar atuando com compromisso e escuta pelo outro.
O prêmio recém-criado chega como resposta ao desejo de valorizar vozes que, como Zileide e Glória Maria, fazem do jornalismo um instrumento de impacto social, aproximação entre diferentes realidades e construção de memória coletiva. Para quem acompanha as notícias todos os dias, reconhecer trajetórias assim é lembrar que, por trás das câmeras e microfones, existem pessoas comprometidas em dar sentido e contexto aos acontecimentos que marcam a vida de milhões.
9 Comentários
Zileide mereceu cada segundo desse prêmio. Ela nunca foi só a âncora da tela - foi a voz que segurou a mão do país durante os momentos mais pesados. Quando cobriu o 11/9, eu tinha 12 anos e ainda lembrava do jeito que ela falava: calma, mas com peso. Isso é raro hoje em dia.
Glória Maria abriu portas, e Zileide não só entrou, como fez questão de deixar a porta aberta pra quem vinha atrás. É isso que faz jornalismo de verdade.
Isso aqui é o tipo de notícia que me faz acreditar de novo no jornalismo. Tanta gente correndo atrás de cliques e polêmica, e aí vem uma mulher que passou 30 anos contando histórias com empatia, sem gritar, sem exagero. É inspirador.
Quem tá começando na área precisa ver isso. Não precisa ser o mais barulhento pra ser o mais importante.
Prêmio Glória Maria: institucionalização do legado. Zileide Silva representa a epistemologia da escuta ativa no jornalismo narrativo. A cerimônia na Câmara demonstra a convergência entre poder simbólico e ética profissional. O reconhecimento unânime é um indicador de consenso institucional sobre valores jornalísticos hegemônicos.
Outra mulher branca, bem falante, bem educada, bem conectada... e aí? E as jornalistas das periferias? Das comunidades quilombolas? Das favelas que ninguém vê? A Globo premia quem ela já contrata. Onde está a mulher que cobre o lixão de Recife? Onde está a que fala com os pais que perderam filhos pra polícia? Isso aqui é espetáculo, não reconhecimento.
Essa história me deu um nó na garganta. Zileide é daquelas que você vê na TV e sente que ela realmente se importa. Não é só ler o teleprompter - ela sente o que tá falando. E isso faz diferença.
Se tivesse mais jornalistas assim, o Brasil seria outro. Não precisa de gritos, precisa de gente que ouve. Ela ouve. E isso é raro.
Parabens a Zileide Silva, uma profissional de altissimo nivel, que representa com dignidade e seriedade o jornalismo brasileiro. A homenagem a Glória Maria é merecida e muito bem-vinda. Acredito que este prêmio deve se tornar uma tradição, para que futuras gerações saibam o que é verdadeiro jornalismo.
Claro que a Globo vai premiar a própria âncora. Mas pelo menos foi uma premiação que não teve pauta de fofoca, nem viu o rosto da apresentadora com filtro. Zileide não precisa de aplausos da mídia pra ser boa - ela já é. O que é raro. Agora, se o prêmio for pra alguém da Band que cobriu o desabamento em São Paulo? Aí sim, eu aplaudo de pé.
Leio isso e lembro do meu avô, que só ligava a TV pra ver o Jornal Nacional. Ele dizia: 'Se a Zileide fala, é porque é verdade.' Não era por ser da Globo - era porque ela nunca mentiu, nunca exagerou, nunca virou o rosto. Hoje, quando vejo jornalistas que só querem viralizar, eu sinto falta daquele jeito. Calmo. Seguro. Humano.
Esse prêmio não é só pra ela. É pra todo jornalista que ainda acredita que contar histórias é um dever, não um espetáculo.
Se a Zileide merece, então por que não premiam a jornalista que morreu no Rio por cobrir um tiroteio? Ou a que foi ameaçada por denunciar corrupção no interior? A Globo faz isso pra se lavar. Não é pra valorizar o jornalismo - é pra valorizar a marca.